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Tag Archives: Copa 2014

Quatro anos e meio. Este é o tempo que resta para que se inicie a segunda Copa do Mundo no Brasil. É este o prazo que está sendo levado em conta. Mas todos os burocratas se esquecem de um dado importante: a Copa não começa em 2014 e sim em 2013. Neste ano, como de praxe, será realizada no Brasil a Copa das Confederações. Muito mais do que um evento que reúne os campeões continentais, a seleção do país-sede e o último campeão mundial, o torneio serve como um teste das instalações e do mobiliário urbano que atenderá a Copa do Mundo. Estádios já deverão estar prontos, obras devem estar encaminhadas, cidades devem estar preparadas para receber este que é o segundo torneio em importância organizado pela FIFA.

E o que está sendo feito? Aparentemente nada.

Três anos faltando para a Copa das Confederações e nenhum estádio está em obras, nenhum projeto viário saiu do papel, nenhuma remodelação de aeroportos foi feita, tudo está parado como o Cristo Redentor no Corcovado. O país segue inerte, como se nada fosse acontecer daqui a três anos e meio. Um mais pessimista diria que isso é por que o mundo vai acabar em 2012. Não. O problema passa por duas questões intrínsecas à administração pública no Brasil: questão política e burocracia. Estamos em um ano eleitoral. O novo presidente do Brasil, bem como os governadores serão eleitos (ou reeleitos). Em ano eleitoral, só obras de curto prazo saem do papel, tudo para dar visibilidade aos políticos em seus nichos eleitorais. O país vive portanto, um momento de hibernação. Só se pensará em Copa do Mundo quando ela acontecer na África do Sul e após seu término, quando os jornais lembrarão que “agora é com o Brasil!”. Usado como meio de ganhar votos, a Copa ficará na cabeça dos políticos apenas como um “no meu governo, farei obras para a Copa” ou “no governo dele, a Copa não sairá do papel”. Parece mentira? Não, isso é apenas a verdade que se constatará quando chegar o horário eleitoral gratuito. Fora que a transição política que venha a acontecer só engessará mais ainda os projetos para a Copa do Mundo.

Findo o aspecto político, a questão que mais deve dificultar que a Copa venha à realidade é a burocracia. Como sabemos, obras do porte colossal como as da competição mundial demoram muito para sair do papel. Uma licitação pode demorar até um ano e meio para sair. E o que já está em edital? Pouco ou quase nada. Passado isso, não será difícil acreditar que surjam escândalos como superfaturamento de obras da Copa, desvio de verbas, favorecimento de empreiteiras, uso de material de baixa qualidade, obras interrompidas pelo Tribunal de Contas da União, etc. Não estou sendo pessimista. Estou sendo realista. É assim que as coisas funcionam no Brasil. Se ninguém mudou ainda, certamente não mudará para a Copa. Lembremos dos Jogos Panamericanos de 2007. O custo final foi de 1.500% acima do orçamento que se previa. Ninguém explicou como isso aconteceu.

Três anos e meio. Lembrem-se, políticos: os olhos do mundo estarão voltados para o Brasil. Temos um compromisso com todo o globo. O evento mais importante do futebol corre o risco de não acontecer se essa inércia permanecer. Ou as coisas começam a sair do papel, ou seremos motivo de chacota por décadas, pela nossa incapacidade de organizar um evento de caráter mundial. E pensar que teremos Olimpíadas dois anos após a Copa.